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...migramos para lá...



- Postado por: Cris Ebecken às 10h05
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Passou o dia estudando.
Perceber que há quem construa castelos de sonhos
forjados em auto-enganos deixou-a meio arredia.
Focou-se nos livros,
E sua ciência desenvolveu-se sem nenhuma reflexão.
Não havia o que refletir.
Castelos são feitos de tijolos com a sobreposição de peças à escolha do engenheiro.
Com a lógica matemática que não percebe o elemento humano.
Trabalha com ângulos que impedem a queda
e esquecem que o tempo desgasta qualquer matéria.
Preferia ter passado a tarde na beira do mar.
Lá os peixes estão imersos, mas continuam a respirar.
Não há ligações nessas horas.
O telefone não toca. E passa a ser uma presença indesejável.
Então ela passa a tarde estudando.
Escutando a trilha sonora de um dos últimos filmes que assistiu no cinema.
E pensa que seria muito agradável a explicação para composição de personagens que aprendeu na escola.
Explicar tudo pelo falo, não, pela fala,
(pequeno ato-falho)
seria muito mais fácil.
Igual a construir castelos de sonhos com cálculos matemáticos.
Mas se lembrou que dormia nas aulas de geometria.

E lembrou-se também da pergunta feita por uma taxista.
Se teria sido melhor ignorar a mentira da época
pra estar com aquilo que um dia sonhou.
E percebeu a resposta no telefone mudo
que silenciava a vontade gritante de disfazer o auto-engano de uma pessoa querida.
Porque é melhor se perder de vez em quando dos sonhos
do que ter um castelo inteiro arruinado anos depois.
Castelos são do tempo dos cavaleiros,
e eles parecem estar em falta no século XXI.

- Postado por: Dri Ebecken às 23h04
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Sobre o Outono

Perdoe-me a demora, me perdi pelo caminho,
claro que me perderia, tenho esse hábito...
Eu vejo as placas, se lembra?
e sempre pego a direção errada...
Mas também, a senhorita foi recorrer logo à Maria Fumaça...
quer trenzinho mais devagarzinho do que a velha tia braba?
A mensagem chegou...
com cinco dias de atraso.

Te digo uma coisa sobre esse outono,
ele tem sido tão criativo como a primavera.
Um dia desses o céu tava tão azul e, de repente,
boom!,
floresceu lá em cima um lilás.
Os sonhos são assim, não?
Cada dia de uma cor? Pega logo a caixa de hidrocor!
Quero desenhar contigo. Acredita que tem uma aranha cinza no meu papel?

Tenho tido dias corridos,
mas eles não me impedem de sentir a brisa fina da saudade.
Do toque do passado.
Temos sorte. Sorte por ter pelo o que lembrar,
pelo o que gastar de tanto rever,
na retina da memória.
Quem sabe mesmo,
uma sorte azarenta de ter pelo que sofrer.

Eu me lembro do susto grande e daquela coisa imensa vindo pela estrada.
Você só enxergando a risada. Os poetas são assim...
Eles vêem o riso onde há pavor
e a melancolia onde há amor.
Deixa eu te contar,
A gente pega as folhas que caem
E usa de adubo.
Juntamos tudo e fazemos semente.

As folhas velhas, depois dessa idade, são coisas certas.





(imagem retirada de: http://rabiscos-nonsenses.zip.net/)


- Postado por: Dri Ebecken às 01h34
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MARIA FUMAÇA EM ZIGUE-ZAGUE - SOS

Já reparou como esse céu de outono está azul de azulzinho? E como as manhãs se erguem com uma brisa que pede pra pele um carinho? Acontece contigo essa sensação esquisita de por vezes se achar em outro lugar que não o que você está? E quando a realidade descortina, e você está aonde está, não lá ou acolá, bate um atordoado nos sentidos como se a única capaz de dar sentido fosse a memória, mas para o seu bem a memória não pode se pronunciar? Já reparou que vira e mexe se toma um beliscão cretino que te quer prender no dito: sonhar é perigoso?

Uma vez fui salva pelo seu afeto. O corpo estava pesado, a tristeza desnorteava as vontades, e tudo parecia um labirinto sem pé nem cabeça. E você me foi par, com alegria e leveza, e pegamos tantas estradas, vimos céus azulzinhos por tantas partes da geografia. Entendo bem sua queda por São João Del Rei... esse outono me explica. Lembra da gente enlouquecendo nas oficinas de roteiro? E da minha alegria beirando a infantilidade no trenzinho? E dos nossos pés nas pedras de Paraty entre ponche, cachaça e poesia? E da minha mania de subir alto e mais alto nos patamares do sul, você me acompanhar por todos os pedregulhos a cima, mas se enfurecer comigo porque eu queria tirar foto na beirinha topo dos precipícios?

Dá para perceber que não é nostalgia, mas carência dos sentidos? Esse ratatá do sobreviver e cifrar acaba comigo, você sabe. Não me cabe quando me furtam a poesia. Hoje, o corpo leve tem um coração pesado, haverá dieta para isso? Duas crianças me fazem uma falta esgarçada, e não posso fazer nada... ter as mãos atadas me encarcera e me aloja como lombriga. Com o dinheiro que dá faço línguas... rota de viagem insana dentro da própria realidade. Preciso de estrada. Preciso de poesia. Preciso de par e descobertas da retina. Me parece de uma pobreza miserável escrever apenas com minhas duas mãos... mas tantas ceifas foram necessárias ao número x de amadurecimentos do tempo que chegou a me deixar arisca aos quem são. Ainda não inventaram remédio para isso... mas se um Professor Pardal aparecesse ficaria rico, eu seria rato de laboratório voluntário, o que acha?

Já reparou que existem sistemas e sistemas de sabotagem e a gente aprende a reproduzi-los conosco? Então, stopa a fumaça do dia-a-dia um pouquinho, repara a janela, tem lá um céu de outono azul azulzinho. Sonhos são necessidades... o dano está na urgência irrequieta do palpável que esse viver ensina, o dano também está nas pedras que a gente guarda. Preciso ir à frente... tem um trem com destino ao afeto em par no próximo embarque, vem comigo?



- Postado por: Cris Ebecken às 11h00
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Também me tentaram com romantismos forçados,

escorreguei aqui e ali, mergulhei em um único de corpo todo.

Todos os vidros racharam. Maquiagem alguma

encobre ingenuidades das vontades.

Perdi-me, despedi-me... me despi.

Já não resta um caco de inspiração,

nenhum amor para cantarolar histórias;

mas uma paixão sobrevivente

dá-me a mão todas as manhãs.



- Postado por: Cris Ebecken às 21h59
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Me venderam um romantismo forçado
E eu peguei o pote e joguei inteirinho no chão
Cacos de vidro se misturaram com paixão

Tendo as mãos manchadas de sangue
Me perguntaram se eu não tinha coração

Sem limpá-las, deitei-me
Toda noite amores sonhados me põem a dormir.

- Postado por: Dri Ebecken às 23h07
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Terminei o livro, em prantos, é verdade, mas só porque eu ainda não sei lidar com a morte, principalmente quando o diálogo é direto. E não foi só o fato de termos o lido quase ao mesmo tempo, foram as frases dos capítulos finais que me lembraram você. Era através delas que iria lhe responder.

"Adoro este lugar e o odeio, porque ele é cheio de palavras." (p 467)

Para a menina que sempre busca em mim retorno, responde a menina que gosta dos entornos.

Eu me lembro de um diálogo em um filme, talvez um livro, não sei bem qual. Um personagem dizia ao outro que não o desculpava, porque não podia lhe tirar a culpa, mas que o perdoava.

Eu seria diferente, no olhar de outros, seria covarde. Acho que o perdão é algo divino. Se tivesse que escolher um dos dois pra presentear outrem, é provável, ficaria com as desculpas.

É mais fácil se culpar, do que perdoar alguém. Mas e o perdão a si mesmo?
Às vezes me pergunto, que se quando não fica nada, será que não é para nós mesmo voltarmos à estaca zero?
A história volta ao ponto inicial, ou será que nós que recomeçamos?

Fico com a segunda opção: entre a areia ou a semente, já tem minha resposta.
Não é ao "por favor" que damos o direito, é ao "com licença, tenho que me refazer".
Entre o ser e o fazer-se, brota o refazer-se.



- Postado por: Dri Ebecken às 02h43
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Parece não ficar nada, dissoluções.

Como se o tempo no varrer cíclico

volvesse tudo ao vaporoso

e à nada de novo permitisse a entrada

até o segundo zero, do minuto zero, da hora zero,

dia, mês e ano do tempo certo.

Quem sabe desse calendário?

Virá nele as resoluções solucionáveis,

a permissão ao cultivo dos sonhos,

a possibilidade do acontecer, mesmo em suor, pelo o que vale?

Terá por vez inédita dedos doces em inteligível linguagem?

Esse esfacelar em grão

sem saber-se areia ou semente,

essa busca cega do que rega a alma

venta a bússola dos rumos,

é catavento de pensamento no centro da tempestade

e o único sonhar possível atrela-se ao por favor:

a renovação da vida, um início a iniciar-se...



- Postado por: Cris Ebecken às 15h15
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São como os grãos,
que sem perceber são revirados com um leve assopro.
E tudo toma um novo rumo.
Rumos são traçados com grãos.
Sonhos.
As certezas se delineiam,
Zigue-zagueando
As palavras.
O tato.
A esperança.
O espaço.
Vazio. Cheio.
Transborda grãos.
Tantas possibilidades,
Que na hora do assopro parecem fumaça.
Ofuscadas de tão leves.
Simples.
Porque não imaginadas. Antes.
Até que pousam.
Acolhedoras de tão calmas.

- Postado por: Dri Ebecken às 07h03
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Tenho sonhos que me explicam tudo

e assim me explicam em tudo.

Vê bem, minha irmã, isso aquém e além do palpável,

essa história de ser pó de xaxim mágico

vem da natureza em metamorfoses.

Ando sonhando muito, dia e noite...

e quanto mais vôo, mais certezas inundam.

Obrigada, sempre, pelas asas.



- Postado por: Cris Ebecken às 11h45
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Foi, novamente, há dias atrás, a velha floricultura que me fez pensar

de todas as certezas que perdi.

No caminhar, levo lembranças boas,

Cansadas por serem lembranças,

acolhedoras por serem boas.

Hoje foi o abraço terno,

do qual já fui parte.

Abre-se mão, por causa da terra pisada que sufoca a raiz que brota

e esquece-se da força que fez esta germinar.

Não esqueça nunca das forças germinadoras,

impedem que nos tornemos céticos. 

Toda rosa é um amor.

Você é fonte geradora delas

e se são os espinhos que lhe deixaram marcas,

cada ferida é profundidade para novas rosas brotarem.

Você é pó de xaxim mágico.



- Postado por: Dri Ebecken às 23h34
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Uma verdade boa,

um sonho quente

e o fazer acontecer.

O agasalho que teço

nesse inverno...

o faço reticente.



- Postado por: Cris Ebecken às 15h23
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Meu bem,

Se hoje me chegasse uma flor. Mesmo tímida. Mesmo singela e miudinha cheia de tons... eu saberia ver? Por tudo de jardim que aprendi e desaprendi, seria eu capaz de discernir entre a beleza brotante e as ervas daninhas? Talvez a resposta seja não, quando mais queria dizer sim. Talvez seja sim, e os olhos se turvem no não. Então, entre o sim e o não, que fiam os dias de dentro e os dias de fora, aonde estaria a vivência da flor, a existência simples de ser?

E se hoje o tempo me fizesse flor. Mesmo entregue e ao mesmo tempo desconfiada... eu saberia ser? Entre o sim e o não, dessa vez pergunto a você... Pois a coragem de sempre persiste, mas equilibrista anda a fé...

Que a gente saiba fluir, e recomeçar não seja só uma palavra, ou uma palavra só.



- Postado por: Cris Ebecken às 20h48
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Na minha casa tem um lustre lindo

Feito de vidro e de cristal

Todas as peças que o compõe

São a junção do amor e do perdão

Na minha casa tem um lustre lindo

Que reflete dentro de mim

Todas as saudades dos dias ruins e dos bons

Mantenho-o sempre aceso

para lembrar-me dos meus irmãos.

Na minha casa tem um lustre lindo

que agora vive só da minha imaginação,

apagaram-lhe todas as lâmpadas e rezamos-lhe uma oração.



- Postado por: Dri Ebecken às 22h30
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Ela rouba flores como quem rouba sorrisos.

E se debruça sobre o lago como quem procura olhares.

Seu melhor amigo sussura baixinho,

é vento feito brisa que passou logo ao lado.

O sol já se esguia por debaixo das árvores 

como quem vai embora de fininho para não deixar saudades.

Senta-se bem na beirada rindo, cheia de graça

É fada, moleca, que brinca com a natureza, estando camuflada.



- Postado por: Dri Ebecken às 12h26
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